2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990) : INTRODUÇÃO 

 

Em 26 de novembro de 1990, aparece um artigo sobre Sting no jornal inglês Daily Express, intitulado “O que aconteceu com o caixa de Sting na Fundação Rainforest?” (O que aconteceu com o dinheiro da floresta virgem de Sting?) O jornalista James Davies relata o ponto de vista da estrela do pop sobre as histórias que são contadas desde o início do ano sobre a gestão de dinheiro da Fundação Rainforest.

Anexo 008: artigo “O que aconteceu com o dinheiro de Sting na Fundação Rainforest?”, jornal Daily Express, de 26 de novembro de 1990

por James Davies

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O ponto de vista de Sting pode ser resumido como: não houve desvio de fundos, ninguém fugiu com o caixa, mas as despesas foram mal geridas. Nessa época, Sting está prestes a viajar para Brasil com a intenção de recomeçar dessa vez tomando o caminho certo com os indios, no momento em que ele acabou de contratar Larry Cox de Amnesty International, que tinha 15 anos de serviço na ONG. Uma garantia de seriedade para apagar o amadorismo o início da Fundação.

Mas a parte mais interessante desse artigo se encontra no fim da segunda coluna. Sting diz o que aconteceu com o dinheiro do livro escrito em parceria com Dutilleux

"
  He was embarrassed by the fact that Belgian photographer Jean-Pierre Dutilleux, the man who first introduced him to the indians, did not hand over a penny of the advance he received for the book Jungle Stories which they jointly produced.
  "He said he was a working journalist who needed the money." says String. "I have to accept that. I am a rich man." But sales of the book barely covered the advance.
"

Traduction :
"
Ele estava envergonhado pelo fato do fotógrafo belga Jean-Pierre Dutilleux, o homem que o fez conhecer os índios, não devolveu um centavo do adiantamento que recebeu pelo livro “Amazônia luta pela Vida”, com histórias que eles escreveram juntos. “Ele disse que com seu trabalho de jornalista ele precisava desse dinheiro”, disse Sting. “Eu tenho que aceitar isso, eu sou um homem rico.” Mas as vendas do livro mal cobriram o adiantamento.
"

Isso corrobora o que o artigo da Rolling Stones sugeria: Dutilleux embolsou o dinheiro da história. Nesse caso, o dinheiro do adiantamento do livro. Agora nós sabemos duas coisas sobre esse avanço: é enorme, porque é um livro de Sting, e Sting o doou a Fundação Rainforest. Dutilleux então não doou também ?

Isso é o que deduzimos que aconteceu: Dutilleux sempre disse que ele doaria os direitos de autoria, mas ele fez uma distinção entre o adiantamento e os direitos doados a partir do momento onde esse adiantamento seria reembolsado pelas vendas. E você, de fato, leu corretamente: o adiantamento, um ano e meio após o lançamento do livro não é reembolsado. Isso explica o que Sting diz sobre Dutilleux ter ganhado dinheiro sobre o livro sem nada doar a Fundação.

É aqui que está o golpe. Não é apenas uma grande mentira como parece dizer o apresentador do programa “World in Action”, é uma confusão de um nível quase artístico. Dizendo que ele havia doado todos os direitos de autor para os índios, Dutilleux desobriga-se com facilidade, porque ele doou exatamente zero, essa foi a soma exata que ele recebeu em royalties. No intento, os indios não tocaram em nada, ao contrario dele, que fez passar os seus interesses pessoais à frente da causa.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

Esclarecimento : apesar de uma disputa de 7 anos, Jean-Pierre Dutilleux, de volta em terra Kayapó em 2009, convence o chefe Raoni de recolher as suas memórias para um editor francês. Uma turnê promocional com o chefe é organizada em maio de 2010 na França e em alguns outros países europeus. Na ocasião, Dutilleux decide reativar a Associação Forêt Vierge, separada da matriz (Rainforest Foundation) desde 1990 (ver caso nº2 e nº3) adormecido há anos. Logo que Raoni partiu, a primeira preocupação da Association Forêt Vierge parecia mais fazer comércio com o nome Raoni, que de transmitir seu engajamento contra a barragem de Belo Monte, que conta com a participação de empresas francesas. Enquanto uma petição do chefe Raoni lançada no site Raoni.fr (atual Raoni.com) recebe um grande sucesso, o nome "Raoni" é registrado pela Association Forêt Vierge como marca francesa no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Um projeto de perfume é desenvolvido. Um pequeno problema, isso foi feito sem a autorização do chefe Raoni e de seu Instituto...

 

A marca “Raoni” foi registrada no INPI ao mesmo tempo em que uma pintura do grande chefe
serve como logotipo para a Association Forêt Vierge em 2010.

 

Anexo 018: Cópia do registro da marca “Raoni” movida pela Associação Forêt Vierge, por intermédio do gabinete Armengaud Ainé em 15 de junho de 2010.

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Um registro da marca "Raoni" no INPI + logotipo de uma pintura do chefe Raoni (classes de produtos ou serviços: 3, 25, 29, 30, 31,32) é movido em 17 de junho de 2010 no INPI pela Association Forêt Vierge. As classes em questão incluem produtos de beleza, roupas, alimentos, cosméticos, águas minerais e gasosas, suco de frutas...O pedido da Associação Forêt Vierge passa pelo escritório de advocacia de Armengaud Ainé, do qual faz parte Caroline de Bontin, irmã de Henri de Bontin, que se tornará vice-presidente da Associação Forêt Vierge em 2011. De acordo com os documentos que nós pudemos consultar, Jean-Pierre Dutilleux e a Associação Forêt Vierge não tinham autorização necessária por parte do chefe Raoni ou de seu Instituto para efetuar esse registro de marca. É necessária uma procuração para isso e ela não foi entregue. Será que ss diferentes interlocutores são informados por Dutilleux, que ele já sabe disso? Ainda assim, no dia seguinte, ou seja, em 18 de junho, Jean-Pierre Dutilleux envia um pedido de procuração ao Instituto Raoni a fim de poder "proteger juridicamente o nome de Raoni contra pirataria", mas na realidade, é para regularizar seu ato ilícito. A procuração que ele pede não se destina apenas a um registro de marca, ele quer a mais ampla possível. No caso de outras abordagens? Ele também escreve isso: “o conselho (da Associação Forêt Vierge) declara que se os Kayapós querem que a AFV continue trabalhando por eles, a AFV precisa de um mandado claro com uma procuração de Raoni para respeitar a legislação francesa e manter nossa credibilidade e reputação junto aos governos, instituições públicas, entidades privadas e mídias empresas, a fim de obter os fundos necessários para o Instituto Raoni e sua demarcação de terras indígenas”.

Henri de Bontin, da Association Forêt Vierge, com o chefe Raoni, negócio de família: sua irmã registrou a marca Raoni no INPI
para a Association Forêt Vierge e seu irmão sonha em desenvolver os cosméticos e perfumes "Raoni".

 

Em 15 de julho de 2010, uma resposta negativa, assinada por vários chefs Kayapós chega. Trecho: "todos os aspectos (dos pedidos de Jean-Pierre Dutilleux) foram analisados, assim como a solicitação de uma procuração onde o chefe Raoni deveria dar um grande poder a sua Associação igualmente, do que nós compreendemos o controle total de seu nome, que levaria, através desse documento, a impossibilidade quase total do cacique de estabelecer qualquer acordo com outro parceiro, no caso de utilizar o seu nome como fonte para coletar fundos. Nossa preocupação refere-se a uma denúncia com relação à Associação Wayanfa, cuja sede está localizada em Paris, que se declara como única associação autorizada a coletar fundos e promover o nome do chefe Raoni sobre o território françês, sendo tal informação uma grande mentira, porque até o momento o cacique Raoni não deu sua exclusividade a ninguém (...) Longe de nós acusar ou insinuar que a Associação Forêt Vierge vá se comportar de maneira desonesta, mas nós devemos discutir esses pontos juntamente com a comunidade e com a decisão de todos. Como disse o presidente de honra da vossa associação: "é melhor receber de coração aberto todas as pessoas que estão dispostas a ajudar em vez de escolher um ou outro e perder a confiança de todos".

A Association Forêt Vierge é então informada que ela não tem a autorização de registrar a marca Raoni. Se seu desejo de registro de marca é realmente ligado à necessidade de proteger o nome do chefe de toda a exploração fraudulenta, seria lógico pensar que ela iria transmitir o domínio de seu nome ao Instituto Raoni. Isso não vai acontecer.

 

Anexo 019: cópia de uma carta registada de 10 de maio de 2011 proveniente do Gabinete Armengaud Ainé sobre o registro da marca "Raoni" apresentada pela Associação Forêt Vierge

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Como demonstra este documento endereçado à sua Presidente Nathalie Gaillard, a Associação Forêt Vierge não desistiu de manter a marca 'Raoni', registrada de maneira fraudulenta. Especifica-se que a marca irá expirar no dia 16 de junho de 2020 e que pode ser declarada como perdida se não funcionar durante um período contínuo de 5 anos. Caroline de Bontin co-assinou o documento. Um assunto de família. Enquanto ela gere este registro de marca, seu irmão Henri de Bontin, muito próximo de Jean-Pierre Dutilleux, iniciou conversações com uma empresa de perfumaria, Mékarfum propriedade de seu irmão Bertil de Bontin. O contrato para desenvolver uma fragrância 'Raoni' já está pronto.

 

Anexo 020: cópia de um "compromisso irreversível de fazer um contrato entre a empresa Mérkafum e a Associação Forêt Vierge para uma linha de produtos cosméticos e/ ou perfumes Raoni”

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Este documento esmagador diz que um projeto de cosméticos e perfumes Raoni já estava em fase de desenvolvimento em 2010, porque está escrito que o documento deve ser assinado no máximo em 30 de setembro de 2010. Se este projeto falhou, deve-se notar, no entanto, a atitude da Associação Fôret Vierge poucos meses depois, quando o Instituto Raoni e o chefe Raoni decidem cortar as amarras com Jean-Pierre Dutilleux e a AFV (março de 2012) através de um comunicado divulgado publicamente em seu site.

Associação Forêt Vierge (“Associação Floresta Virgem”), da esquerda para a direita:
Patrick Mahé, Jean-Pierre Dutilleux, Nathalie Gaillard (atual presidente) e Bernard Laine, cercam o chefe Raoni

 

Anexo 021: reproduções de dois comunicados do Instituto Raoni publicados em março e abril de 2012, no seu site oficial, em relação ao rompimento com Dutilleux e AFV

Download do comunicado datado de 02 de março de 2012 em PDF

Download do comunicado datado de 2 de Abril de 2012 em PNG

Em 2 de março de 2012 o Instituto Raoni envia uma declaração do cacique Raoni a todos os seus amigos e parceiros para informar que Jean-Pierre Dutilleux e a AFV não estão autorizados a levantar fundos em nome do cacique Raoni Kayapó e seu povo. Em 2 de abril de 2012, esclarecimentos são feitos e publicados.

 

Parte 022: captura de tela de um comunicado da Associação Forêt Vierge publicada em 12 de outubro de 2012 em sua página no facebook

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Extrato da publicação (captura de tela)

A reação da AFV demora. Ė finalmente publicada em online em 12 de outubro de 2012 na página Facebook da Associação, administrada por Henri de Bontin. Trata-se de uma intimação e de ameaças contra o Instituto Raoni, o seu diretor e o presidente da ONG Planète Amazone. Claro, essas ameaças nunca serão de fato colocadas em prática.

Nos comentários, alguém lembra à AFV que a única razão pela qual seu apelo às doações em favor do chefe Raoni está suspenso é porque eles não têm mais autorização para transmití-la.

 

Resposta de AFV: "a Associação Forêt Vierge é proprietária do nome Raoni na França e, consequentemente, detém o direito exclusivo de usar esse nome para algum propósito seja de qual natureza (sic)." Então: "Eu [Henri de Bontin] sinto muito, mas o nome Raoni é uma marca registrada na França e é propriedade da Associação Forêt Vierge "

Alguém responde: "Que vergonha!!!!!!! E vocês tem sua autorização para usar seu nome ????? "

Resposta de AFV: "Claro, e isso foi feito para protegê-lo de pessoas que não sérias”.

A pessoa insiste: "Sr. de Bontin, se o registro de marca foi feito para "proteger" Raoni, por que você (a AFV) não transferiu esse registro ao Instituto Raoni que o representa e por que você não registrou o nome à nível mundial? Esta é a única maneira de realmente proteger um nome, e você sabe disso. "

Resposta de AFV: "Um registro de marca mundial custa 2.000€ e isso era demais para a nossa pequena associação"

 

A publicação Facebook da AFV com comentários embaraçosos será rapidamente apagada. Subsiste esta captura de tela. Segundo as nossas informações, vários tentativas para permitir o Instituto Raoni de recuperar a marca Raoni serão realizados por um advogado até os dias de hoje. Todos eles permanecem sem resposta. Como pode confirmar captura de tela datada de 2 de julho de 2016, a marca Raoni ainda pertence à AFV ... Para "proteger" o chefe Raoni sem o seu consentimento?

Captura de tela do INPI, prova que a marca Raoni ainda pertence à Associação Forêt Vierge, em Julho de 2016.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990) : INTRODUÇÃO 

 

 

Em abril de 1990 é transmitido pela primeira vez o documentário Sting and the indians ("Sting e os Índios"), parte de uma série de documentários de investigação chamada "World in Action". A série é produzida pela Granada TV. O documentário será transmitido no canal A&E, nos Estados Unidos. 

Como descrito no site “RainforestFoundation.com”, esse documentário é perturbador para Sting, para sua mulher Trudie Styler, mas totalmente esmagador para Jean-Pierre Dutilleux. O programa não está atualmente disponível na internet, mas nós conseguimos acessá-lo.

Anexo 007 - Comentário sobre o documentário "World in Action" pelo site RainforestFoundation.com

par le site RainforestFoundation.com

Comentário no site RainforestFoundation.com (inglês)

Versão em PDF (inglês)

Sobre o livro "Amazônia luta pela Vida” (Amazonie Lutte pour la Vie / "Jungle Stories"), vendido comercialmente com a menção "todos os direitos vão para a Fundação", o documentário afirma que Dutilleux teria recebido um adiantadamento de 100 mil dolares (algo em torno de 150 mil euros nos dias de hoje, ou 570 mil reais ). Tal soma pode ser negociada com o editor Jean-Claude Lattès devido a notoriedade de Sting, então no auge de sua carreira.  Um adiantamento médio para um livro ilustrado para um autor com a notoriedade de Dutilleux, na época seria provavelmente em torno de 8 mil euros (valores de 2016). Com adiantamento dessa magnitude, o livro não pode provavelmente gerar quaisquer "royalties" (ou seja, um lucro além do valor do adiantamento) através da primeira tiragem. O livro não teve uma segunda tiragem e é provável que nenhum "royalties" tenha sido dado à Fundação RainForest. O golpe de Dutilleux, que negociou o contrato é inteligente e totalmente imoral. Felizmente, Sting devolveu ele mesmo esse dinheiro.

Foto: O Chefe Sioux Floyd Westerman (Red Crow), o cantor Sting, o líder Raoni e Jean-Pierre Dutilleux na promoção da versão inglesa do livro "Amazônia, luta pela Vida”, que deveria gerar fundos para a Fundação RainForest. Co-autor juntamente com Sting, Dutilleux será acusado de enriquecer com seu livro e como resultado foi expulso da Fundação RainForest.

No documentário World in Action, Dutilleux joga com as palavras, ele nega que se trata da questão de direitos autorais. No entanto, confirma-se que Dutilleux não reembolsou o adiantamento dos cofres da fundação, como Sting, seu co-autor, que o deixou negociar o contrato com toda a confiança.

A mulher de Sting afirma por outro lado, em frente a uma câmara, que "nós estamos pressionando o Sr. Dutilleux para que ele devolva seu adiantamento à Fundação" ao que Sting acrescenta "Eu não tenho nenhum poder sobre ele, eu não sou seu tutor". Jean-Pierre Dutilleux nunca devolveu seu adiantamento. Isso foi motivo de sua expulsão da matriz da Fundação Rainforest algumas semanas mais tarde. 

World in action também revela uma história um pouco mais antiga, extremamente embaraçante para Jean-Pierre Dutilleux. Ele é acusado pelo fotógrafo Alexis de Vilar de ter desviado fundos de um jantar de gala organizado para o filme Raoni no Teatro Chinês em Hollywood em 1979. Veja na seção 1 para obter mais detalhes.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

2 - Introduction

Teria Sting violado a floresta virgem ?

ou "Ossos do ofício" - Rolling Stone (França), em janeiro de 1990 por Mark Zeller

Neste artigo, o jornalista Mark Zeller traça um primeiro balanço depois de um pouco menos de um ano de existência da Fundação Rainforest, matriz de ONGs presentes em 7 países diferentes, incluindo os Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, França e Bélgica (haverá 12 no total, incluindo o Japão e a Noruega, ainda ativos em 2016). Usando um tom muito amargo contra Sting, quanto a origem dessa Fundação que se propagou de forma impressionante, ele tambem não esquece Jean-Pierre Dutilleux, e traz um esclarecimento explosivo sobre a diferença entre a visão que o público pode ter da defesa prestigiosa de uma causa nobre, e da maneira como realmente foi conduzida na ocasião.

Anexo 005: artigo "Teria Sting violado a floresta virgem" (França), janeiro 1990

por Mark Zeller

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A origem da Fundação Rainforest

Em 1989, todos os eventos acontecem em um alinhamento quase milagroso que resulta com a criação da Fundação Mata Virgem, Rainforest Foundation em Inglês, Associação pour la Fôret Vierge em francês. A promulgação da nova Constituição do Brasil, o assassinato de Chico Mendes (grande defensor do meio ambiente no Brasil), a renúncia do Banco Mundial do projeto da barragem Kararao (futuro Belo Monte), uma campanha de amplitude levada pelo Survival International, que servirá de modelo para a criação da Fundação Rainforest, e obviamente de Sting, envolvido em uma campanha da  Anistia International no Brasil.

A defesa da Amazônia vai de vento em popa. Os povos indígenas do Brasil têm sua notoriedade necessária. Eles não são conhecidos pelo público, e vão encontrar sua encarnação em Raoni, uma pessoa que todos terão a impressão de conhecer. Na França, o presidente Mitterrand, eleito há menos de um ano, será o primeiro Chefe de Estado estrangeiro a se encontrar com o chefe Raoni.

A operação de comunicação funciona à todo vapor. Trata-se de levantar US $ 3,5 milhões para proteger a floresta. Só aparentemente, já que o objetivo é de fato estabelecer de uma só vez uma das principais ONGs na proteção da Amazônia, e também captar um novo público doador graças a aura de Sting. Tudo isso em um só projeto, esse de unificar as terras Kayapó onde vive Raoni, quando isso já estava oficialmente registado pelas autoridades brasileiras!

 

Controvérsia

Será que o dinheiro arrecadado com as 7 filiais da Fundação Rainforest realmente ajudou na demarcação do que hoje é o Parque Nacional do Xingu, onde ainda habitam os Kayapó, e especialmente Raoni, numa terra demarcada antes da chegada de Sting na história?

É claro que o mecanismo de financiamento, se houve, foi muito indireto. Em particular, a demarcação não podera realizar-se sem a assistência, em cada fase, das autoridades brasileiras. É difícil avaliar o quanto e em benefício de quem, mas podemos tirar a conclusão de que trabalhar para a Fundação Rainforest permitia viver confortavelmente, ou até mesmo podia assegurar uma carreira prestigiosa em função do país de localização, que não era sujeito a controles rigorosos quanto ao organismo internacional suposto a coordenar cada uma de suas filiais nacionais. A prova disso é que hoje em dia a Fundação Rainforest da Noruega e Japão são totalmente independentes da sede.

 

Dutilleux e o dinheiro

Segundo o jornalista, em suas próprias afirmações, Jean-Pierre Dutilleux estava plenamente consciente de que ele estava se aproveitando de um movimento favorável aos interesses dos índios, com a promulgação da Constituição de 1988 no Brasil. Iniciar uma campanha internacional pela demarcação das terras era a certeza de resultado em algo que teria acontecido mesmo sem sua ajuda, embora possamos estimar que, de certa forma, essa repercussão internacional e o dinheiro arrecadado puderam acelerar o processo.

É especialmente a criação de uma máquina de guerra para promover seus filmes e livros, o resultado principal desta campanha de 1989. A Fundação Rainforest teve um sucesso imediato em todos os países em que foi criada. Jean-Pierre Dutilleux reconhece neste artigo que foi para ele um meio de melhorar significativamente a sua situação financeira pessoal. Quase sem teto para morar em 1986, aqui está ele na companhia de doadores ricos e outros mundanos atraídos pela luz que irradia a maior estrela da música pop da época, em jantares de caridade e em vendas de arte. Tudo isso, claro, regado a muito caviar e champanhe, disserta Mark Zeller.

Um momento de descanso na vida agitada de um aventureiro que sempre usa o seu visual "roots" no meio dos fatos? Não, Dutilleux realmente gosta de ser o centro das atenções e isso não mudou. (A seguir nos nossos próximos artigos.)

 

UM ARTIGO QUE DÁ ESCLARECIMENTOS MAIS ATUAIS.

Destruir a Amazônia em nome da "defesa nacional" já era a palavra-chave de um governo da direita brasileira desde o início de 1990. Sabemos agora que o mesmo aconteceu aos dois presidentes subsequentes, membros do Partido do Trabalhadores (PT), ditos à esquerda, mas que não mudaram essa orientação fundamental.

Também tomamos conhecimento com este artigo que o presidente Sarney teria declarado empregar ambientalistas (como Sting e Dutilleux) como "Cavalo de Tróia" para ocultar a contribuição de multinacionais estrangeiras ao desenvolvimento capitalista no Brasil. Quando os interesses brasileiros não estão satisfeitos, eles servem como reduto para o apetite das empresas estrangeiras neocolonialistas. Quando é alcançado um acordo, eles só fazem operações de comunicação, ganham dinheiro com a sua fundação, e não impedem nada no terreno. Deste modo, todo mundo está feliz. Prático. Exceto para os índios.

 

UM RESPOSTA POSTERIOR, EM OUTRO JORNAL

Em 12 de fevereiro, surge um artigo resposta na revista “Globe" (descontinuada alguns anos mais tarde). O título do artigo é "Sting contra-ataca". Ele consiste em uma entrevista dupla de Sting e Jean-Pierre Dutilleux. Fato surpreendente: o artigo é realizado por Gert Bruch, que hoje é presidente da Planète Amazone, uma ONG que trabalha com Raoni e os Kayapó desde o ano 2010. Analisemos o conteúdo em primeiro lugar, depois o método de comunicação empregado.

 

Anexo 006: artigo "Sting contra-ataca", extraído da revista Globe, de 12 de fevereiro de 1990

par Gert Bruch

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OS ARGUMENTOS DE STING

Ao contrário do que disse a Rolling Stones, Sting diz extremamente preocupado com os Yanomami e afirma que a Fundação Rainforest envia ajuda médica. Ele detalha mesmo o mecanismo dessas operações e a principal fonte de custos: transporte aéreo de equipamentos e de médicos as áreas pouco acessíveis da Amazônia. Além disso, ele se justifica dizendo que o trabalho da Fundação Rainforest construiria uma relação dos índios entre eles mesmos e com as autoridades brasileiras, tudo acompanhado por uma pressão internacional. 

Sting diz que ele não faz isso com prazer e que está pronto para ceder seu lugar... Depois de colocar 250 mil do seu próprio dinheiro no caso, ele espera que alguém possa substituí-lo para continuar um trabalho que é mais complexo e mais difícil do que o esperado. Além disso, ele se retirará de campo no ano seguinte, mas a criação  Fundação e algumas vitórias do mundo indígena durante esse período não são suas únicas razões. Nós voltaremos a isso.

 

AS CONTORÇÕES DE JEAN-PIERRE DUTILLEUX

Desde o início de sua argumentação Jean-Pierre Dutilleux disse que a fundação seria controlada pelos índios. A sede brasileira é em Brasília, ou seja a 500km e o resto em países longiquos. O que eles poderiam controlar? É também um belo jogo dizer que ele persuadiu seus colaboradores para não transmitirem a maior parte do dinheiro aos índios, quando ele é capaz de admitir que também se beneficiou do sucesso da fundação para aumentar seus lucros. 

O capital inicial foi fornecido por Dutilleux? Ou são os 250 mil dolares de Sting? Jean-Pierre não parece conseguir precisar a soma que ele mesmo doou à Fundação (entre 60 000 e 100 000 mil dolares) Mesmo se essas fotos de 1987 venderam muito bem, não está claro como Jean-Pierre Dutilleux poderia ter essa soma de dinheiro quando ele declarou ter enfrentado dificuldades financeiras em 1986. Então, seria mentira, exagero ou outra coisa?

Sobre o primeiro livro, Amazônia luta pela Vida (Jungle Stories), co-escrito com Sting, Dutilleux disse que ele doou a integralidade dos direitos de autor à Fundação. Qual o valor dessa soma?

 

PORQUÊ DUTILLEUX NAO ATACA NA JUSTIÇA ?

É interessante ver que a única mensagem da qual ele se defende concretamente nessa entrevista não diz respeito a sua reputação, mas a um erro factual do jornalista sobre o tamanho das terras demarcadas. 

Se, como ele pretende, o conteudo do artigo não foi bem comunicado pela redação da Rolling Stones, eles estavam, Sting e ele mesmo em pleno direito de exigir um direito de resposta a propósito de esses elementos, ou de apresentar queixa diretamente. Essa não foi a atitude de Sting, nem de Dutilleux que prefere rejeitar tudo fazendo gesto com a mão. Finalmente isso não incomoda Jean-Pierre Dutilleux, nem o que dizemos sobre ele ter enriquecido às custas dos índios. Então, se lembramos tudo isso  agora, 25 anos depois, que vai ele dizer? Será que ele vai explicar tudo isso claramente?

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

 

 

Esclarecimento: Sting foi o guia do Chefe Raoni na primavera de 1989 em uma turnê triunfante ao redor do mundo, na qual grandes somas de dinheiro foram levantadas para proteger as terras indígenas no Brasil. 

Ao lado deles, viajavam também o chefe Megaron, o chefe Sioux Floyd Wersterman (conhecido como Red Crown) e principalmente Jean-Pierre Dutilleux, que possibilitou o primeiro encontro do chefe indígena e da estrela do Rock na primavera de 1989. Os problemas começaram no início do ano de 1990, quando Jean Pierre Dutilleux foi acusado de ter se enriquecido pessoalmente durante a famosa turnê mundial, sabendo que ele era membro fundador da Fundação Rainforest e do Conselho de Administração da maior parte dos escritórios criados durante a turnê. As acusações surgiram na revista Rolling Stone França de janeiro de 1990 (uma investigação de 15 páginas feitas por Mark Zeller), depois no programa de investigação World in Action (produzido pela Granada TV - episódio: "Sting e os Índios", realizado por Debbie Christie e transmitido em 2 de abril de 1990 nos Estados Unidos.

Depois dessa história, que foi reproduzida muitas vezes pela imprensa sensacionalista, Jean-Pierre Dutilleux foi expulso pelos membros diretores da Fundação Rainforest, nesse caso Sting e sua futura esposa Trudie Styler. Ele mantém, no entanto o escritório francês, a Associação pela Floresta Virgem (Association pour la Foret Vierge) e o escritório belga que é presidido por seu pai. A expulsão de Jean Pierre Dutilleux passou relativamente despercebida na Europa, mas não no Brasil, onde a revista Veja publicou uma inserção na página 35 de sua edição de 2 de maio de 1990 (anexo 007).

3 - BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

Anexo 010: artigo do jornal belga "Le Soir" de 26 de junho de 1991, "O Brasil e o espinho da Amazônia".

Por Thierry Coljon

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Em um artigo publicado no jornal belga "Le Soir" de 26 de junho de 1991, o leitor descobre que Jean-Pierre realizou uma conferência de imprensa para apresentar "um projeto ao longo de 5 anos". Ele menciona a investigação realizada pelo jornalista americano Mark Zeller . Fica igualmente subentendido que Sting se distanciou da causa: "Sting escaldou e de agora a diante, teme a agua fria e preferiu vender discos". O artigo argumenta que "a Bélgica" agora gera fundos e que "Dutilleux apostou tudo em seu país de origem para relançar a Fundação com a ajuda da filial de uma das mais importantes agências de relações públicas do mundo: CGI-Dialogic". O jornalista precisa que "seu novo projeto corrige a inexperiência do início da Fundação, se estende aos índios isolados e consiste em um trabalho de longo termo, com uma duração de 5 anos. A coleta de fundos continua então."

O jornalista, em seguida, relata uma primeira nota dissonante sobre parceria com Dutilleux: (...) a colaboração anunciada com o “Viva Brasil 91”, na qual parte dos bilhetes de entrada dos concertos do Palais des Beaux-Arts deveriam ser destinados à Fundação de Dutilleux, não vai acontecer. A razão dada por Jean-Michel de Bie, organizador do festival: "Eu não recebi nenhuma garantia de que o dinheiro serviria de fato a Amazônia.

O jornalista faz enfim menção a uma entrevista de um famoso cantor brasileiro, Milton Nascimento, publicada na mesma edição, onde uma questão sobre a turnê Sting-Raoni foi feita ao cantor. Milton Nascimento faz alusão, sem citar, Jean-Pierre Dutilleux: "Sting é uma pessoa fantástica, mas eu penso que ele era mal aconselhado. E os indígenas que eu conheço pensam a mesma coisa. Além disso, agora ele é consciente e eu sei que ele está tentando reparar o que foi feito”.

 

Anexo 011: Artigo do jornal belga "Le Soir" de 7 de setembro de 1991, "25 hectares de floresta ainda são destruídas a cada minuto, nova campanha Raoni-Dutilleux pela Amazônia.

por Joelle Meskens

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Deux mois et demi plus tard parait un second article dans le même journal. Il est annoncé que le chef Raoni va venir dans le courant du mois de septembre 1991 en Belgique aux côtés de JP Dutilleux, dans le cadre d’une nouvelle opération. La journaliste annonce que le chef Raoni doit être l’invité de l’émission de télé française vedette Sacrée Soirée, comme deux ans et demie plus tôt. Philippe Houziaux, responsable de l’agence de communication Dialogic est présenté comme le « chef d’orchestre de l’opération ». L’articulation de la campagne est détaillée : vente géante de cartes postales « pour sauver l’Amazonie », diner de charité à Bruxelles (le 20 sept. 1991)… la présence du ministre français de l’environnement Brice Lalonde est annoncée.

La destination des fonds levés est précisée : « Trois projets concrets ont été imaginés par Sydney Possuelo, le directeur du « centre pour les indiens isolés », une section de la Fondation nationale brésilienne pour les Indiens (Funai). Ils portent, notamment, sur la protection de zones très précises, le lancement de projets éducatifs destinés aux tribus, la création d’un parc national ainsi que sur la réalisation d’un film destiné à la Conférence mondiale sur l’environnement et le développement qui doit se tenir, en juin prochain, à Rio.  L’ensemble des projets ont été conçus pour cinq ans. Ils devraient permettre de sauver une superficie de trois fois la Belgique, souligne Philippe Houziaux. A condition que les millions récoltés soient correctement utilisés. Les autorités brésiliennes et l’ambassade de Belgique au Brésil se portent garants. »

L’article se conclut par des détails sur le diner de charité, prévu le 20 septembre 1991 à l’hotel Mercure de l’aéroport de Bruxelles. Il est fait mention d’un traitement faveur envers les lecteurs du journal Le Soir souhaitant participer.

 

Anexo 012 - artigo do jornal Belga "Le Soir" de 19 de setembro de 1991, "retido por disputas internas em sua de sua tribo, Raoni não virá a Bruxelas".

por Jacques Cordy

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Doze dias após o artigo anterior, o jornal "Le Soir" que segue de perto a questão, faz uma atualização surpreendente. O Chefe Raoni havia anulado sua vinda a Europa devido às "disputas internas de sua tribo". O jornalista fornece explicações de Jean-Pierre Dutilleux: ”Ele não pode entrar no avião (...) ele teve que voltar imediatamente. Apenas tinha ele virado as costas para entrepreender essa viagem na Europa, que o povo da tribo começou a lutar uns contra os outros por causa de sombrias rivalidades mal apagadas. Não há como acalmá-los à distância: Era necessária a presença do chefe. Raoni teve de desistir, desolado, furioso, de me acompanhar.” Dutilleux veio, ainda assim, do Brasil, sozinho, com um vídeo do chefe. Esse que nós anunciamos no artigo, que foi transmitido no programa Sacrée Soirée, programa que deveria receber o Chefe Raoni como convidado surpresa. A mensagem filmada deveria também ser transmitida na Bélgica na noite da publicação do artigo na televisão RTL. 

A versão de Dutilleux com relação à anulação da vinda do Chefe Raoni será desmentida mais tarde pela imprensa brasileira. Enquanto isso, o artigo anuncia que a nova campanha de mobilização da opinião pública acontecerá. Total do budget apresentado por Jean-Pierre Dutilleux e pela agência Dialogic: 179, 4 milhões de francos belgas.

 

3 - BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

Anexo 013: artigo do jornal belga Le Soir em 21 de Setembro de 1991, "O Diretor da Funai coloca em causa a campanha Raoni-Dutilleux, Brasília duvida dos projectos dos amigos belgas ..."

par Marc Metdepenningen

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Enquanto a campanha Dutilleux / Dialogic pára em Malmedy (Ardennes belgas) após o início dela em Bruxelas, um escândalo rebenta no jornal belga Le Soir, que, no entanto, tinha anunciado ser parceiro do evento. Este novo artigo informa que a sede da ONG Survival (em Londres) lançou publicamente uma carta assinada pelo presidente (não do diretor) da Funai, o Sr. Sydney Possuelo, cujo nome foi citado por Dutilleux e a empresa Dialogic para dar credibilidade à campanha e aos projectos propostos, para quais são utilizadas uns apelos a doações do público e dos parceiros. Le Soir detalha o conteúdo da carta do Sr. Possuelo datada do 19 de Setembro de 1991. O Sr. Possuelo conta ter encontrado JP Dutilleux em Abril de 1991 e que ele manifestou interesse em relação a alguns projectos de protecção dos indianos isolados e duma possível colaboração com recurso a acervos disponíveis junto a Associação Virgin Forest (liderados pelo pai do JP Dutilleux em sua versão belga). "Em nenhum momento o Sr. Dutilleux relatou a criação de uma fundação para arrecadar fundos." Sr. Possuelo descreve o projeto da criaçao de um parque nacional em Alto Solimões como uma "estupidez" e acredita que este projeto é uma "interferência flagrante nos assuntos a respeito exclusivo à sociedade brasileira." O jornlista disseca ums elementos do programa lançado publicamente pelo Dutilleux e a empresa Dialogic:

"No seu programa, a Associação para a Floresta Virgem affirmou que ele tinha, por exemplo, 1.000 FB para salvar 1km2 DE floresta no Alto Solimões". O Presidente descreve como "absurda" a matemática. "Isso, escreve ele, me faz acreditar que a intenção (da associação) é dar ilusões aos doadores generosos." Conclusão do Sydney Possuelo : " Mr. Dutilleux não é e nunca foi autorizado para arrecadar fundos em nome da FUNAI, da Coordenação dos Indios Isolados (nota : cujo o Sr. Possuelo assumiu a presidência em abril), ou a mim mesmo "

Para a sua defesa, JP Dutilleux produz ao jornalista troca de cartas produto com o Sydney Possuelo, onde o presidente da FUNAI afirma que os projectos que transmite são oficiais e espera que eles serão realizados. Dutilleux fala de uma entrega do Sydney Possuelo e diz que é motivada por "pressoes terríveis" dos militares sobre aqueles que defendem a causa indígena.

 

Anexo 014 : Artigo do jornal indigenista brasileiro Povos Indígenas do Brasil do 26 de Setembro de 1991, "O golpe do cineasta muy amigo"

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O escândalo chega ao Brasil cinco dias depois de ser revelado pelo Le Soir. A revista indigenista contém os elementos publicados em vários artigos do Le Soir (projectos,  fundos solicitados ao público), com algumas informações adicionais. Especifica-se que aqueles que apoiaram a campanha Dutilleux / Dialogic receberam um "diploma", localizando a parte da floresta amazônica que supostamente salvaram. Uma tabela tornada publica afirma que mil francos belgas salvam um km2 no Alto Solimões durante 3 anos. Com 1500 francos, a mesma porção é salvada durante 5 anos. Para 2000 francos, salvamos 1 km2 no Estado do Acre durante um ano ... O artigo aponta que em nenhum momento é especificado nesses documentos que os objectivos não podem, em caso algum, ser financiados exclusivamente por projetos privados. O artigo lembra que "a criação de um Parque Nacional e a demarcação de terras indígenas dependem das decisões políticas do Governo Federal do Brasil e a falta de dinheiro nem sempre é o principal problema."

O artigo também expressa a reação do presidente da FUNAI, Sydney Possuelo, quando soube que a agência de comunicações Dialogic o tinha exposto como "responsavel direto dos projetos": "Ele cancelou toda as autorizações de filmagem em terras indígenas concedidos antes do cineasta Dutilleux ".

 

Anexo 015: artigo do jornal brasileiro Folha de São Paulo do 7 de Outubro de 1991, página 1, "Belga usa a Amazônia para ganhar 5 milhões US $"

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O escândalo da campanha Dutilleux / Dialogic evolua no dia 7 de outubro de 1991, quando a história é anunciada em primeira pagina do No. 22832 do jornal Folha de São Paulo, um dos jornais mais populares e difundidos no Brasil. É assim, na frente de centenas de milhares de brasileiros que Jean-Pierre Dutilleux, coroado ainda há pouco com a sua participação ativa na campanha internacional Sting / Cacique Raoni, fica exposto. No gancho sob o título da primeira página, o redator afirma que "Dutilleux (...) transformou projectos da Funai para arrecadar 5 milhões US $. O presidente da Funai, Sydney Possuelo, acabou com o golpe que prometia aos doadores individuais e as empresas os diplomas de resgate da Amazônia.

 

Anexo 016: Artigo do jornal brasileiro Folha de São Paulo, de 7 de Outubro de 1991,  livro interior Cotidiano : "Belga explora indios da Amazônia e tenta golpe de US$ 5 milhoes na Europa"

par Ricardo Arnt

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Tal como anunciado na cobertura, Jean-Pierre Dutilleux é pessoalmente denunciado numa página inteira do jornal Folha do São Paulo, um dos maiores tiragens da imprensa brasileira. Através dele, é o segundo escândalo que salpica o nome do Raoni em um ano, depois do caso dos "royalties" cobrados sobre o livro " Amazonie, lutte pour la vie " (“Amazônia, uma luta para a vida inteira”), que ele publicou em 1989 com Sting. Além disso, o jornal opta por utilizar uma foto onde JP Dutilleux também aparece ao lado de Sting, que se afastou dele, e que agora enferma novamente, indiretamente. Isso certamente vai pesar na sua decisão de não colaborar diretamente com o Cacique Raoni, que ele não verá até 2009, embora tenha continuado envolvido com a Rainforest Foundation, cujo primeiro objetivo era portanto ajudar o Cacique Raoni.

 Sting se afastou de Raoni por 20 anos por conta de todos os problemas causados por JP Dutilleux.
Os dois homens se encontram em 2009, mas o cantor se afastou novamente quando Dutilleux organizava uma excursão
com o chef Raoni na Europa em Maio de 2010.

O artigo explica que não apenas que JP Dutilleux utilizou de maneira ilícita o nome do presidente da Funai, Sydney Possuelo, mas também da Embaixada da Bélgica, "para levantar 5,1 milhões de dólares". Citação: "A Embaixada afirma que seu nome foi citado de maneira inadequada". A carta do Sr. Possuelo é mencionada, e é precisado que ele acusa Dutilleux de "dar ilusões aos doadores sinceros" Mas o jornalista dá a palavra também à Dutilleux, que afirma que é um mal entendido de uma campanha de marketing orientada para o consumidor belga.

Segue uma recordação dos fatos. Possuelo encontra Dutilleux no início dos anos 1991. Depois disso, e porque Dutilleux disse sobre os fundos que estavam disponíveis, ele enviou em abril dois projetos à Association Forêt Vierge belga. Dutilleux jamais mencionou à Possuelo sua intenção de criar um novo organismo La Fondation Amazonie (“Fundação Amazônia”), para coletar fundos. A Fundação de Dutilleux propõe investir 1,2 milhões de dólares na proteção dos índios isolados, enquanto o projeto de Possuelo custava apenas 1 milhão de dólares.

O artigo explica também que é pedido no documento da campanha 3,5 milhões de dólares para criar um parque Nacional e desenvolver programas de apoio aos índios durante 5 anos no Alto Solimões. Possuelo nega ter alguma vez falado sobre um parque. O orçamento estimado foi de 797.000 dólares, para trazer os índios, e ele foi multiplicado por 5! 351.000 dólares são pedidos para fazer o filme sobre os índios isolados.

Se o documento da campanha Dutilleux/ Dialogic afirma que Sydney Possuelo é responsável por todos os projetos (isso que foi negado por vários meios de comunicação), o jornalista pontua que ele não explicou como o dinheiro seria utilizado. "Ele não fez nenhuma menção às agências brasileiras que cuidam das reservas indígenas e parques nacionais. Silêncio sobre as leis que controlam a aquisição de terras pelos estrangeiros". 

 

Anexo 017: artigo do jornal cotidiano brasileiro “Folha de São Paulo” de 7 de Outubro de 1991, caderno Cotidiano , " 'Ecologista' diz que só quer defender os índios "

por Ricardo Arnt

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A continuação e o fim do arquivo dedicado pela Folha de São Paulo ao caso Dutilleux / Dialogic. A defesa de Dutilleux parece absurda, ele decide virar-se contra a agência de comunicação que ele contatou: “o cineasta afirma que ele estava filmando na floresta e que não participou da elaboração da campanha da agência GCI-Dialogic: Não tenho nada a ver com este caso, eu até fiquei um pouco chocado com isso”. 

O jornalista menciona um jantar em julho de 1991, entre o JP Dutilleux, Sydney Possuelo e Christian van Driessche (hoje embaixador belga na Argélia), a Embaixada da Bélgica, que intervém no artigo para expressar seu descontentamento sobre o uso do nome da embaixada: "A Embaixada apoia os cidadãos belgas, mas não está envolvida em projetos privados que não tenham sido aprovados pelo governo belga. Nunca ouvi falar de uma Fondation Amazonie (Fundação Amazônia). Nosso nome tem sido usado de forma inadequada, o que dá espaço para falsas interpretações".

O Presidente da FUNAI se culpa por ter ser enganado por Dutilleux. Ele diz que suas suspeitas começaram quando JP Dutilleux foi convidado para participar de um jantar de caridade. "Expliquei a ele que eu estava trabalhando para o governo e que não era um homem ordinário". Ele explica que a partir daí começou a não se dar bem com ele. Ele diz que foi ele quem desaconselhou o chefe Raoni ir a Bélgica. Felizmente para ele, o líder Kayapó deu-lhe ouvidos. 

Ele só voltará para a Europa em 2000, 9 anos mais tarde... com Jean-Pierre Dutilleux. Depois de novas aventuras, desta vez será o chefe Raoni que declarará sobre Dutilleux, "Ele foi expulso para sempre." Na verdade, Dutilleux vai permanecer indesejável em território Kayapó durante 7 anos, até seu retorno em 2009, o tempo que, como de costume, as coisas se acalmam. Mas isso é outra história.

Nota-se que Dutilleux exigiu um direito de resposta à Folha de São Paulo, que concordou em publicá-lo. Lá, ele anunciava que tinha acabado de prestar queixa contra o Presidente da FUNAI Sydney Possuelo e também contra o presidente da filial brasileira da Fundação Rainforest, Olympio Serra, que também o denunciava. Após verificação, podemos afirmar que era apenas um blefe, porque as pessoas envolvidas confirmaram que nunca receberam nenhum processo do Sr. Dutilleux. Esta técnica de tentativa de intimidação é um grande clássico das pessoas desmascaradas. Dutilleux vai usar quase sistematicamente essa técnica quando suas atividades duvidosas serão expostas ao publicamente.

 

3 - BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990) : INTRODUÇÃO 

 

 

Esclarecimento: Durante a campanha do chefe Raoni com Sting em 1989, Dutilleux co-escreve um livro com Sting, chamado "Amazônia luta pela vida" (Amazonie lutte pour la Vie/ Jungle Stories). Lançado em abril de 1989, o livro foi recebido sem entusiasmo. Mas por trás desse livro se esconde uma história que é o ponto de partida para o distanciamento definitivo do cantor Sting e de seu antigo companheiro de aventura na Amazônia. 

AMAZÔNIA LEAKS propõe que você descubra a face oculta do livro que permitiu Jean-Pierre Dutilleux de enriquecer sem ao menos defender os índios, como era até então seu propósito inicial.

1 - POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015) : INTRODUÇÃO

 

Esclarecimento: O filme Raoni foi filmado em 1976 no Parque Nacional do Xingú, por Jean-Pierre Dutilleux e Carlos Saldanha, com o aventureiro Clive Kelly. O página da Wikipédia brasileira indica que Dutilleux e Saldanha são co-realizadores. A página francesa indica que Dutilleux é o único realizador.

O filme foi selecionado fora da competição no Festival de Cannes de 1977. Uma versão americana era planejada. Jean-Pierre Dutilleux consegue a participação de Marlon Brando. Essa versão é apresentada na Bélgica graças à ajuda da organização Tribal Life Fund, presidida por Alexis Vilar, onde Jean-Pierre se torna vice-presidente em 1978. Por intermédio de sua companhia Moving Frontiers, Jean-Pierre Dutilleux pede novamente a Alexis Villar e a Tribal Life Fund a organização de uma grande gala em Hollywood, em 28 de março de 1979, em vista de uma seleção para o Oscar. O filme é nomeado graças ao impacto da gala, mas ele não ganha a estatueta de melhor documentário. Ele dá visibilidade ao chefe Kayapo nas mídias brasileiras e a causa que ele defende. Dutilleux, co-produtor do filme, ganha fortuna e prestígio de um bem feitor da causa indígena. Até lá tudo vai bem...tudo?

Em 1981 Jean-Pierre Dutilleux é acusado por um jornal diário brasileiro de não ter dado o percentual de benefícios prometidos à comunidade do cacique Raoni, que contribuiu amplamente graças a filmagem ilegal do filme. As confusões começam? Não, elas começaram mais cedo! Em 1990, Alex Villar do Tribal Life Fund, antigo colaborador de Dutilleux, recorda de um episódio da organização de gala para o filme "Raoni" em Hollywood e lança acusações extremamente graves contra Jean-Pierre Dutilleuxx, na ocasião do programa “World in Action”. O episódio, intitulado "Sting e os índios" provoca um terremoto e a exclusão de Jean-Pierre Dutilleux da Fundação Rain Forest, có-fundada com Sting e sua esposa Trudie Styler. Jean-Pierre Dutilleux nunca prestou queixa contra Alexis de Vilar.

Uma velha história? Não tão certo. As tribulações do filme Raoni nos leva até 2015...e talvez ainda mais longe.

 

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

INTRODUÇÃO: Quem é realmente Jean Pierre Dutilleux, cineasta e autor belga apaixonado que popularizou a causa dos índios da Amazônia, ou mercenário ecológico sem escrúpulos que explora comercialmente, levando a minar sua credibilidade e também dos índios que ele diz defender?


Jean-Pierre Dutilleux em 2013

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

 

O interesse por o caso de Jean-Pierre Dutilleux surgiu da escuta do programa "La Curiosité est un vilain défaut" na emissora RTL, em 16 de setembro de 2015. O apresentador lia um direito de resposta do grande Chefe Raoni, que negava formalmente as afirmações segundo as quais ele teria matado pessoas que procuravam invadir seu território, e que ele havia utilizado o dinheiro recebido através de Dutilleux para comprar armas.

Essa resposta foi dada depois do convite de Dutilleux no mesmo programa, em 24 de junho. Manchar a honra do mais conhecido representante da Floresta Amazônica no mundo e de sua luta contra deflorestação nos pareceu terrivelmente escandaloso, e foi assim que nós quisemos saber mais sobre esse sujeito, que se permitia, muito calmo, fazer publicidade contando qualquer coisa.

Nós transcrevemos a resposta do chefe Raoni. O download pode ser feito aqui.

Depois disso, nós investigamos sobre Jean Pierre Dutilleux. O que descobrimos vai além do que imaginamos sobre o sujeito. Uma coisa levando à outra, nós acumulamos material sobre ele e também sobre outros assuntos. E assim nasceu esse site.

Os fatos e testemunhos expostos nesse site, coletados rigorosamente, tem a intenção de trazer a tona à verdade que tarda. E portanto, o público tem o direito de saber, Jean Pierre Dutilleux vem agindo por décadas sob o disfarce de ONGs, inclusive daquela que ele criou, a Associação Forêt Vierge (Floresta Virgem)

Alguns casos, prescritos nos termos da lei, não obtiveram jamais respostas satisfatórias. Os doadores, os parceiros, as instituições e principalmente os povos indígenas precisam de transparência. Amazônia Leaks precisa de todos para trazer tudo à tona. Que a investigação comece!

Finalmente, as informações aqui apresentadas sobre a pessoa de Jean-Pierre Dutilleux e seus associados não tem a intenção de promover vingança ou mesmo linchamento. Nós esperamos antes de tudo que a justiça, possivelmente com ajuda do grande público, se fie a essas informações para conduzir uma investigação completa, a fim que todas essas histórias sejam definitivamente esclarecidas. 

Então, a defesa das florestas tropicais se tiraria um grande espinho do pé, e poderia continuar seu trabalho com bases renovadas.

 

 
O contentamento de Jean-Pierre Dutilleux em maio de 2010:
ele conduz o chefe Raoni no tapete vermelho do Festival de Cannes sob flashes intensos.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

1 - POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015) : INTRODUÇÃO

 

Explicação: Jean-Pierre Dutilleux publicou em 15 de maio de 2015 um livro de memórias de suas expedições pelo mundo. Ele relata um episódio de 1980, que diz respeito ao Cacique Raoni, esse último estimado para receber o Prêmio Nobel da Paz, e que teria supostamente comprado armas de fogo com o dinheiro do filme "Raoni", realizado por Dutilleux.

O fato curioso, suscitou o interesse de vários meios de comunicação, incluindo a primeira estação de rádio da França, RTL. Nesta edição do programa "La Curiosité est un vilain défaut" de 24 de junho de 2015, (inclusa uma transcrição de alguns trechos - anexo 003), Dutilleux acusa o Cacique Raoni de ter sido cúmplice de contrabando de armas de fogo em plena ditadura militar. Ele também acusa o famoso indigenista Claudio Villas-Boas de tê-lo incitado a ser cúmplice também desse ato ilegal. Notificado do conteúdo do programa, o Cacique Raoni reagiu publicamente para denunciar as alegações de Jean-Pierre Dutilleux: um direito de resposta foi lido ao vivo por Thomas Hugues em 16 de setembro de 2015 (anexo 004). Esse direito de resposta não está disponível no podcast do programa.

Anexo 003 - trechos do aúdio do programa "La Curiosité est un vilain défaut", transmitido pela RTL em 24 de junho de 2015 - Jean-Pierre Dutilleux foi convidado por conta de seu livro "Sur les traces des peuples perdus" (Na Trilha dos Povos Perdidos) ed. Hugo-Doc.

  • 1. RTL_la-curiosite-est-un-vilain-defaut_24062015.mp303:40

 

 TRANSCRIÇÃO

 

Thomas Hugues (apresentador): A curiosidade é, obviamente uma qualidade do nosso convidado. Jean-Pierre Dutilleux, boa noite.

Jean-Pierre Dutilleux: Boa noite.

TH: Bem vindo a RTL. Você é diretor, fotógrafo e por 40 anos você viajou o mundo para encontrar os povos isolados, muitas vezes ameaçados pela urbanização, pela deflorestação.Só para contar a história, nós explicaremos depois porque agora a pouco nós escutamos a voz de Sting, essa voz cristalina, bela, porque isso faz parte da história (...) E o filme ele tem um destino incrível?

JPD: ah, sim, sim, então! Primeiro ele era clandestino esse filme. Nós tivemos que sair do Brasil clandestinamente, isso foi em plena ditadura militar, com uma equipe de basquete que levou os rolos fotográficos em suas malas. Nós chegamos no aeroporto do Rio, bla bla bla....

TH: O que aconteceu com ele então?

JPD: Ah, bem, ele foi selecionado para o Festival de Cannes, ele foi ao Oscar em Hollywood, houve Marlon Brando que aceitou fazer a versão inglesa e bla bla bla, o assunto começou a avançar, é isso. (...) Eu estava na Espanha e eu recebi uma ligação do meu agente em Londres me dizendo que os Txucarramae, que eu conheço bem, dos quais Raoni é o chefe, um dos chefes, hein, é preciso destacar, tinha massacrado 14 madeireiros. Então eles me mandaram lá. Eu fui até lá. Eu cheguei em São Paulo, na época, que nós passávamos para ir a Amazônia, nós pegávamos uma conexão, depois bla bla bla...E eu estive na Funai, que é a Fundação Nacional do Índio, onde eu encontrei os irmãos Villas-Boas, que estavam lá e eu lhes disse: "mais onde está Raoni? O que acontece? Porque ele matou os brancos?" Foi uma loucura! E nós estamos de acordo, que isso continua acontecendo, os índios, nós vamos todos matá-los. É preciso lembrar que havia 6 milhões de índios no Brasil no momento da descoberta - essa é uma estimação - e nos anos 70 restavam 75 mil. Eu falo dos índios que ainda vivem de modo tradicional, é isso. Então ele me disse: "ele está no jardim. Ele está na cabana no fundo do jardim" Então eu disse: "o que?"

TH: (risos) você acreditava que era uma piada?

JPD: Sim, eu pensei que era uma piada. Eu vou a cabana ao fundo do jardim.

TH: Isso é uma letra de uma canção de Francis Cabrel (cantor popular francês).

JPD: Tudo isso é muito misterioso, os irmãos Villas-Boas fecharam o escritório e foram pra casa. E lá, Raoni, ele tinha uma vela, ele estava com o caçador de panteras Ngoroire, que o segue para todos os lugares, que é um pouco seu segurança, e ele me abraça e me diz: "tudo bem? O que você está fazendo aqui?"

Sidonie Bonnec (apresentadora): Ah, ele te disse isso, o chefe Raoni? "O que você está fazendo aqui?"

JPD: Ele me disse: "Eu vim fazer compras" "Ah é?" "compras, que compras? "Olhe!" e então sairam da sua cama caixas de fuzis.

TH: Ui... !

JPD: Eu disse: "mas então, você é doente ou o que?

SB: Quem você ainda quer matar?

JPD: sim sim, "espera" "não, não". Ele diz : “não te preocupes, isso é para caçar”. Na realidade é uma dissuasão, é isso. Eu entendi mais tarde. Eu o perguntei: "Como você pode comprar essas armas?" E ele me disse: "Bem, com o dinheiro do filme!".

SB: (chocado) Então o chefe da amazônia Raoni comprou com o dinheiro do seu filme que o colocou em cena e o revelou ao mundo, armas para matar os madeireiros?

JPD: Isso!

SB: bravo!

JPD: Você vê um pouco a situação, em plena ditadura. E depois ele me disse: "agora, você vai levá-las a aldeia. Nós vamos retornar a aldeia com as armas".

SB: ele te pediu para ser cúmplice, Jean-Pierre Dutilleux?

JPD: Ele me pediu para ser cúmplice, é isso.

TH: você hesitou? Porque ele te pediu para comprar munição também.

JPD: ah sim, porque eu não dormi a noite toda. Por um lado eu tinha uma reportagem para fazer, era uma história incrível, por outro lado era realmente perigoso, porque naquele tempo, fazer contrabando de armas para ir a uma área onde os índios massacraram os madeireiros, foi assim que aconteceu mais ou menos.

TH: Sim, e o Brasil de 1980, não é o Brasil de hoje, hein?

JPD: Não é realmente esse de hoje!

SB: Então, você foi? Quer dizer, você o ajudou a levar essas armas?

JPD: então, eu fui ver o velho Claudio (Villas-Boas) e eu o disse: "Então, o que eu faço?" Ele disse: "É simples, você é pelos índios ou você é contra os índios?" Eu disse: é evidente que eu estou com eles". Essa foi a resposta. Então, eu fui lá.

 

Anexo 004: excertos de áudio do programa La curiosité est un vilain défaut (“A curiosidade é um grande defeito”) na rádio RTL de 16 de setembro de 2015 - Direito de resposta de Cacique Raoni foi difundido no dia 16 de setembro de 2015 em RTL, após o programa de 24 de junho de 2015.

Transcrição: Durante a transmissão do 24 de Junho, Jean-Pierre Dutilleux, etnógrafo, foi recebido no programa radiofónico, onde ele relatou várias anedotas cuja uma sobre o Cacique Raoni. Sua narração dos fatos poderia ter deixado pensar que em 1980 Raoni ainda tinha matado brancos, que isso era loucura, que ele teria financiado a compra de armas graças ao dinheiro do documentário filmado em 1976.

O Cacique Raoni está envolvido na luta pela preservação de toda forma de vida há mais de 40 anos. Ele nega veementemente os assassinatos que lhe seriam imputados. Neste sentido, deve-se lembrar que ele conseguiu várias vezes prevenir conflitos entre seu povo e os madeireiros ilegais. Ele não recebeu qualquer forma de retribuição da filmagem do documentário Raoni em contrapartida.

A anedota contada por Jean-Pierre Dutilleux, sobre a detenção e transporte de caixas de armas, é falsa e susceptível de desacreditar a ação de Cacique Raoni.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

1 - POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015) : INTRODUÇÃO

 

Anexo 002: Artigo do jornal brasileiro “Folha de São Paulo” de 22 de julho de 1981.

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Esclarecimento: A Funai cria uma legislação devido aos problemas encontrados em torno do filme “Raoni”.

 

Trechos do artigo:

"A Funai (Fundação Nacional do Índio) autoriza o filme "India"

(...) [India] é o segundo filme comercial com a participação dos índios. O primeiro foi "Raoni", de Jean-Pierre Dutilleux que até hoje não cumpriu o acordo assinado com a Funai de transferir 10% dos lucros para os índios Txukarramãe, do Xingu.

(...) Numa tentativa de evitar a repetição dos problemas surgidos com as filmagens de “Raoni”, que foi exibido no mundo inteiro, a FUNAI estabeleceu alguns critérios de pagamento para os produtores de “India”: os índios que participarem das filmagens deverão receber um cachê a ser estipulado pelo Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro e pela Funai. Além disso, antes do início das filmagens a produção deverá adiantar 500 mil cruzeiros à Funai, que aplicará esse recurso em projetos de desenvolvimento da comunidade dos Javae.

(...) Esse grupo de trabalho da Funai foi criado especialmente para elaborar normas que disciplinem as relações entre as produções cinematográficas e as comunidades indígenas, partindo do princípio de que fotógrafos, cinegrafistas, técnicos de televisão e até músicos costumam usar os índios, seus trabalhos e sua arte para difusão coletiva sem oferecer qualquer compensação financeira às comunidades ou indivíduos envolvidos.

 

A VERSÃO DE JEAN-PIERRE DUTILLEUX

Publicada em seu livro "Sur la trace des peuples perdus" (Na trilha dos povos perdidos) éd. Hugo & Cie - 2015

"Quando o filme "Raoni" foi lançado no Brasil, eu concordei com os índios de dar-lhes 10% dos lucros. Uma coisa inédita na época. Um dia, Raoni se encontrou com o contador da Embrafilme, a empresa brasileira de distribuição do filme, e exigiu o que lhe era devido. Ele estava acompanhado do co-produtor brasileiro Pierre Sagues. O contador foi surpreendido pela presença desse índio no seu pequeno escritório na Avenida Brasil, quando saía do Rio para ir a São Paulo. Ele explicou a Pierre que ele não podia dar-lhe o dinheiro dessa forma, que era necessário esperar a verificação das contas, os relatórios que seriam enviados no fim do ano, etc. Ele não disse mais uma palavra, diante da situação, do impasse, Raoni levantou sua clave de madeira, que ele leva para a guerra para matar seus inimigos, e esmagou o escritório do contador, que partiu em dois. O contador gritou, caiu no chão e perdeu seus óculos. Pierre o colocou de pé: "Seria melhor pagá-lo, se não nós vamos ter grandes problemas..."

"O contador não contestou mais. Então, Raoni partiu com uma bela sacola cheia de notas de banco, de cruzeiros, da moeda da época."

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento

 

1 - POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015) : INTRODUÇÃO

 

AMAZÔNIA LEAKS apresenta com exclusividade uma mensagem de Alexis de Vilar, gravada e destinada ao Cacique Raoni, que resume as acusações já realizadas no programa “World in Action”. Dessa maneira, Sr. Vilar deseja informar o célebre chefe sobre os eventos que ele testemunhou.

 

Anexo 001: Mensagem de Alexis de Vilar, antigo presidente da Tribal Life Fund, destinada ao Cacique Raoni.

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento