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3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

Anexo 013: artigo do jornal belga Le Soir em 21 de Setembro de 1991, "O Diretor da Funai coloca em causa a campanha Raoni-Dutilleux, Brasília duvida dos projectos dos amigos belgas ..."

par Marc Metdepenningen

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Enquanto a campanha Dutilleux / Dialogic pára em Malmedy (Ardennes belgas) após o início dela em Bruxelas, um escândalo rebenta no jornal belga Le Soir, que, no entanto, tinha anunciado ser parceiro do evento. Este novo artigo informa que a sede da ONG Survival (em Londres) lançou publicamente uma carta assinada pelo presidente (não do diretor) da Funai, o Sr. Sydney Possuelo, cujo nome foi citado por Dutilleux e a empresa Dialogic para dar credibilidade à campanha e aos projectos propostos, para quais são utilizadas uns apelos a doações do público e dos parceiros. Le Soir detalha o conteúdo da carta do Sr. Possuelo datada do 19 de Setembro de 1991. O Sr. Possuelo conta ter encontrado JP Dutilleux em Abril de 1991 e que ele manifestou interesse em relação a alguns projectos de protecção dos indianos isolados e duma possível colaboração com recurso a acervos disponíveis junto a Associação Virgin Forest (liderados pelo pai do JP Dutilleux em sua versão belga). "Em nenhum momento o Sr. Dutilleux relatou a criação de uma fundação para arrecadar fundos." Sr. Possuelo descreve o projeto da criaçao de um parque nacional em Alto Solimões como uma "estupidez" e acredita que este projeto é uma "interferência flagrante nos assuntos a respeito exclusivo à sociedade brasileira." O jornlista disseca ums elementos do programa lançado publicamente pelo Dutilleux e a empresa Dialogic:

"No seu programa, a Associação para a Floresta Virgem affirmou que ele tinha, por exemplo, 1.000 FB para salvar 1km2 DE floresta no Alto Solimões". O Presidente descreve como "absurda" a matemática. "Isso, escreve ele, me faz acreditar que a intenção (da associação) é dar ilusões aos doadores generosos." Conclusão do Sydney Possuelo : " Mr. Dutilleux não é e nunca foi autorizado para arrecadar fundos em nome da FUNAI, da Coordenação dos Indios Isolados (nota : cujo o Sr. Possuelo assumiu a presidência em abril), ou a mim mesmo "

Para a sua defesa, JP Dutilleux produz ao jornalista troca de cartas produto com o Sydney Possuelo, onde o presidente da FUNAI afirma que os projectos que transmite são oficiais e espera que eles serão realizados. Dutilleux fala de uma entrega do Sydney Possuelo e diz que é motivada por "pressoes terríveis" dos militares sobre aqueles que defendem a causa indígena.

 

Anexo 014 : Artigo do jornal indigenista brasileiro Povos Indígenas do Brasil do 26 de Setembro de 1991, "O golpe do cineasta muy amigo"

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O escândalo chega ao Brasil cinco dias depois de ser revelado pelo Le Soir. A revista indigenista contém os elementos publicados em vários artigos do Le Soir (projectos,  fundos solicitados ao público), com algumas informações adicionais. Especifica-se que aqueles que apoiaram a campanha Dutilleux / Dialogic receberam um "diploma", localizando a parte da floresta amazônica que supostamente salvaram. Uma tabela tornada publica afirma que mil francos belgas salvam um km2 no Alto Solimões durante 3 anos. Com 1500 francos, a mesma porção é salvada durante 5 anos. Para 2000 francos, salvamos 1 km2 no Estado do Acre durante um ano ... O artigo aponta que em nenhum momento é especificado nesses documentos que os objectivos não podem, em caso algum, ser financiados exclusivamente por projetos privados. O artigo lembra que "a criação de um Parque Nacional e a demarcação de terras indígenas dependem das decisões políticas do Governo Federal do Brasil e a falta de dinheiro nem sempre é o principal problema."

O artigo também expressa a reação do presidente da FUNAI, Sydney Possuelo, quando soube que a agência de comunicações Dialogic o tinha exposto como "responsavel direto dos projetos": "Ele cancelou toda as autorizações de filmagem em terras indígenas concedidos antes do cineasta Dutilleux ".

 

Anexo 015: artigo do jornal brasileiro Folha de São Paulo do 7 de Outubro de 1991, página 1, "Belga usa a Amazônia para ganhar 5 milhões US $"

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O escândalo da campanha Dutilleux / Dialogic evolua no dia 7 de outubro de 1991, quando a história é anunciada em primeira pagina do No. 22832 do jornal Folha de São Paulo, um dos jornais mais populares e difundidos no Brasil. É assim, na frente de centenas de milhares de brasileiros que Jean-Pierre Dutilleux, coroado ainda há pouco com a sua participação ativa na campanha internacional Sting / Cacique Raoni, fica exposto. No gancho sob o título da primeira página, o redator afirma que "Dutilleux (...) transformou projectos da Funai para arrecadar 5 milhões US $. O presidente da Funai, Sydney Possuelo, acabou com o golpe que prometia aos doadores individuais e as empresas os diplomas de resgate da Amazônia.

 

Anexo 016: Artigo do jornal brasileiro Folha de São Paulo, de 7 de Outubro de 1991,  livro interior Cotidiano : "Belga explora indios da Amazônia e tenta golpe de US$ 5 milhoes na Europa"

par Ricardo Arnt

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Tal como anunciado na cobertura, Jean-Pierre Dutilleux é pessoalmente denunciado numa página inteira do jornal Folha do São Paulo, um dos maiores tiragens da imprensa brasileira. Através dele, é o segundo escândalo que salpica o nome do Raoni em um ano, depois do caso dos "royalties" cobrados sobre o livro " Amazonie, lutte pour la vie " (“Amazônia, uma luta para a vida inteira”), que ele publicou em 1989 com Sting. Além disso, o jornal opta por utilizar uma foto onde JP Dutilleux também aparece ao lado de Sting, que se afastou dele, e que agora enferma novamente, indiretamente. Isso certamente vai pesar na sua decisão de não colaborar diretamente com o Cacique Raoni, que ele não verá até 2009, embora tenha continuado envolvido com a Rainforest Foundation, cujo primeiro objetivo era portanto ajudar o Cacique Raoni.

 Sting se afastou de Raoni por 20 anos por conta de todos os problemas causados por JP Dutilleux.
Os dois homens se encontram em 2009, mas o cantor se afastou novamente quando Dutilleux organizava uma excursão
com o chef Raoni na Europa em Maio de 2010.

O artigo explica que não apenas que JP Dutilleux utilizou de maneira ilícita o nome do presidente da Funai, Sydney Possuelo, mas também da Embaixada da Bélgica, "para levantar 5,1 milhões de dólares". Citação: "A Embaixada afirma que seu nome foi citado de maneira inadequada". A carta do Sr. Possuelo é mencionada, e é precisado que ele acusa Dutilleux de "dar ilusões aos doadores sinceros" Mas o jornalista dá a palavra também à Dutilleux, que afirma que é um mal entendido de uma campanha de marketing orientada para o consumidor belga.

Segue uma recordação dos fatos. Possuelo encontra Dutilleux no início dos anos 1991. Depois disso, e porque Dutilleux disse sobre os fundos que estavam disponíveis, ele enviou em abril dois projetos à Association Forêt Vierge belga. Dutilleux jamais mencionou à Possuelo sua intenção de criar um novo organismo La Fondation Amazonie (“Fundação Amazônia”), para coletar fundos. A Fundação de Dutilleux propõe investir 1,2 milhões de dólares na proteção dos índios isolados, enquanto o projeto de Possuelo custava apenas 1 milhão de dólares.

O artigo explica também que é pedido no documento da campanha 3,5 milhões de dólares para criar um parque Nacional e desenvolver programas de apoio aos índios durante 5 anos no Alto Solimões. Possuelo nega ter alguma vez falado sobre um parque. O orçamento estimado foi de 797.000 dólares, para trazer os índios, e ele foi multiplicado por 5! 351.000 dólares são pedidos para fazer o filme sobre os índios isolados.

Se o documento da campanha Dutilleux/ Dialogic afirma que Sydney Possuelo é responsável por todos os projetos (isso que foi negado por vários meios de comunicação), o jornalista pontua que ele não explicou como o dinheiro seria utilizado. "Ele não fez nenhuma menção às agências brasileiras que cuidam das reservas indígenas e parques nacionais. Silêncio sobre as leis que controlam a aquisição de terras pelos estrangeiros". 

 

Anexo 017: artigo do jornal cotidiano brasileiro “Folha de São Paulo” de 7 de Outubro de 1991, caderno Cotidiano , " 'Ecologista' diz que só quer defender os índios "

por Ricardo Arnt

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A continuação e o fim do arquivo dedicado pela Folha de São Paulo ao caso Dutilleux / Dialogic. A defesa de Dutilleux parece absurda, ele decide virar-se contra a agência de comunicação que ele contatou: “o cineasta afirma que ele estava filmando na floresta e que não participou da elaboração da campanha da agência GCI-Dialogic: Não tenho nada a ver com este caso, eu até fiquei um pouco chocado com isso”. 

O jornalista menciona um jantar em julho de 1991, entre o JP Dutilleux, Sydney Possuelo e Christian van Driessche (hoje embaixador belga na Argélia), a Embaixada da Bélgica, que intervém no artigo para expressar seu descontentamento sobre o uso do nome da embaixada: "A Embaixada apoia os cidadãos belgas, mas não está envolvida em projetos privados que não tenham sido aprovados pelo governo belga. Nunca ouvi falar de uma Fondation Amazonie (Fundação Amazônia). Nosso nome tem sido usado de forma inadequada, o que dá espaço para falsas interpretações".

O Presidente da FUNAI se culpa por ter ser enganado por Dutilleux. Ele diz que suas suspeitas começaram quando JP Dutilleux foi convidado para participar de um jantar de caridade. "Expliquei a ele que eu estava trabalhando para o governo e que não era um homem ordinário". Ele explica que a partir daí começou a não se dar bem com ele. Ele diz que foi ele quem desaconselhou o chefe Raoni ir a Bélgica. Felizmente para ele, o líder Kayapó deu-lhe ouvidos. 

Ele só voltará para a Europa em 2000, 9 anos mais tarde... com Jean-Pierre Dutilleux. Depois de novas aventuras, desta vez será o chefe Raoni que declarará sobre Dutilleux, "Ele foi expulso para sempre." Na verdade, Dutilleux vai permanecer indesejável em território Kayapó durante 7 anos, até seu retorno em 2009, o tempo que, como de costume, as coisas se acalmam. Mas isso é outra história.

Nota-se que Dutilleux exigiu um direito de resposta à Folha de São Paulo, que concordou em publicá-lo. Lá, ele anunciava que tinha acabado de prestar queixa contra o Presidente da FUNAI Sydney Possuelo e também contra o presidente da filial brasileira da Fundação Rainforest, Olympio Serra, que também o denunciava. Após verificação, podemos afirmar que era apenas um blefe, porque as pessoas envolvidas confirmaram que nunca receberam nenhum processo do Sr. Dutilleux. Esta técnica de tentativa de intimidação é um grande clássico das pessoas desmascaradas. Dutilleux vai usar quase sistematicamente essa técnica quando suas atividades duvidosas serão expostas ao publicamente.

 

3 - BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

 

SUMÁRIO GERAL :

JEAN PIERRE DUTILLEUX, A BARRAGEM BELGA DA AMAZÔNIA

1. POR TRÁS DO FILME “RAONI” (1979 – 2015)

2. STING EXPULSA DUTILLEUX DEVIDO A ENRIQUECIMENTO PESSOAL (1990)

3.UM BELGA EXPLORA OS ÍNDIOS DA AMAZÔNIA E TENTA UM GOLPE DE 5 MILHÕES DE $ NA EUROPA (1991)

4. UM DEPÓSITO ILÍCITO DA MARCA RAONI (2010)

5. DUTILLEUX PROIBIDO DE ENTRAR EM TERRITÓRIO KAYAPÓ E PERSEGUIDO POR VENDA DE FOTOS (2000-2004)

Anexos do documento